E agora? Vamos brigar, vamos aceitar ou vamos ignorar?


O ano 2022 já vinha sendo uma promessa de ser um ano do ‘dianho’ desde outubro de 2018. Em toda a minha vida, política nunca foi tão protagonista de palco como antes. Em 2018 houve uma ruptura sócio familiar para muitos brasileiros, com surpresas e reviravoltas de amigos e familiares apoiando e votando no dito cujo Jair.


Antes de continuar o texto, já se faz necessário dizer: não, eu não apoio o Lula ou PT, não sou comunista, e não sou vagabundo que ganha dinheiro do governo. Parece que na cabeça dos apoiadores do milico não há mais como reconhecer, que uma pessoa tem o direito de não gostar do seu Jair. Recebemos títulos de cargos que nunca tivemos, sendo criticado por criticar. Crítica inclusive é uma palavra que virou "ofensa", pior que do que chamar a mãe de ‘moça da vida’. Você é proibido de criticar o presidente, mesmo que ele também seja o seu presidente.


E essas introdução vem desde 2018, onde mostrar a falta de humanismo de Bolsonaro era uma crítica horrenda, lhe tornando automaticamente um cidadão de Cuba. Aquele ano foi duro para mim (imagino que para muitos), rompi relações de vida com pessoas por desacreditar que aqueles amigos que faziam todos os tipos de loucura comigo, que estavam ao meu lado, que protegiam minorias, se transformaram em seres repugnantes por concordar com as falas do então candidato Jair. 


Houve muito, mas muito xingamento durante aquelas eleições. Deu muita raiva do Bolsonaro, parece que era ele o motivo das brigas com meus amigos. Deu a entender que ele foi quem trouxe o pior das pessoas à tona. E vou confessar, conhecer alguém novo (amigo, paquera, parceiro ou colega) virou uma entrevista velada. Toda a vez que podia, eu dava uma "bisolhada" nas mídias dos contatos novos, eu precisava saber se brigaria com essa pessoa em 2022. E agora, com a corrida eleitoral já rolando, estou vendo as pessoas que já sabia que votariam, manter posição, pessoas que nunca falaram nada assumir a posição, e pessoas que se esconderam ou se mostraram arrependidas saindo do armário e mostrando que vão votar no prodígio de diabo.

E a pergunta que vêm do título: vamos brigar, vamos aceitar ou vamos ignorar?


Por mim, não quero brigar. Apoiadores do Bolsonaro já se mostraram fanáticos e agressivos, mesmo eu sendo reconhecido como pessoa da paz, não confio na emoção dos outros. Confesso que tenho medo de um amigo querer me agredir para poder defender o governo, a história mostra que isso já aconteceu várias vezes, com tribos traindo tribos, cossacos entregando anarquistas, e até mesmo judeus dando seus pares de bandeja para os alemães. Pode parecer exagero, mas a gente sabe desse ‘odiozinho’ que Messias conseguiu destravar na mente das pessoas, é de assustar.


Eu também não quero aceitar. Ter um amigo que diz “tudo bem o presidente ser assim”, me transmite uma fala de concordar com racismo, homofobia, machismo, ladroagem e tudo aquilo que aquele leque de fezes representa. Não posso deixar que uma pessoa que eu goste, possa achar normal ser assim, é necessário educar nossos irmãos. Não vou aceitar que o meu vizinho, um devorador de livros e amplo conhecedor de história, concorde com um homem que só pensa em destruir.


Vou ignorar, então? E essa é a pergunta que me remete a minha posição antes de 2018. Essas pessoas já eram assim, sempre foram ou pensaram, agora elas ganharam uma voz pública legalizada. Sendo eu, homem, branco e heterossexual, os comentários a lá Jair eram OK nas conversas com os amigos, e eu raramente tomava iniciativa de corrigir o camarada (isso se eu não fosse o interlocutor das babaquices). Não me permito mais ignorar o assunto, seria errado.

E agora? Agora é o seguinte parça, vai ter que ter paciência e estratégia. Fanatismo é extremamente perigoso, deixa homens cegos e obcecados. Estamos numa situação onde temos que deixar o cachorro ficar latindo do outro lado do portão até ele entender que não somos uma ameaça. Eles vão esbravejar, reinar, xingar, fazer motim (motivo: não sei), e tudo aquilo que uma pessoa que não consegue analisar uma situação faz. Estamos lidando com pessoas convictas, que não olham para os lados, que só tem um foco. É necessária muita conversa, mas conversa demais, e tem que ser um por um. Lembre se, somos uma voz direta contra quinhentas no zap-zap do tiozão.


Eu acho que seu Jair é uma pessoa extremamente machucada na vida, algo aconteceu com ele que fez ele ser ruim. E essa ferida que ele transparece, faz com todos aqueles que tem esse mesmo sentimento, mas que não sabem lidar com isto, tenham uma representação. Vamos ter calma e cuidado, não fique na provocação de deboche, provoque o pensamento crítico do povo. Mostre que há remédios para essas dores e as pessoas podem contar com a ajuda uns dos outros.


E agora calma, que Jair já-era!


Bruno Magalhães

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