Canela, um caso de copia e cola ‘bem’ mal feito!
Quando um turista entra em minha loja e pergunta “O que faço em Canela?” fico me perguntando como este não planejou a sua vinda para cá. Porém, se ele faz essa pergunta significa que eles, os turistas, não sabem o que tem pra fazer aqui, e se não sabem, é uma questão de divulgação. Por incrível que pareça, muitos acham que a Cascata do Caracol fica em Gramado, e na verdade, nosso público veio para Gramado e não para Canela.
O fato de Canela querer ser ‘espelho’ do turismo de Gramado é triste. Gramado é muito mais consolidada e recebe muito investimento tanto local quanto externo. São seis vezes mais atrações, meios de hospedagens e locais de alimentação. Gramado focou e foca no turista, obviamente, repetindo a técnica mais do mesmo. E nessa onda (para não dizer sombra), Canela faz o mesmo.
Contudo, Canela tem que entender que jamais será Gramado.
Um exemplo de turismo “irmão” seria Fernando de Noronha (que está para Gramado) e Porto de Galinhas (que está para Canela). Quem vai a Noronha precisa obrigatoriamente passar por Porto de Galinhas, mas quem vai para Noronha porcamente cita Porto de Galinhas. E sabendo disto a prefeitura de Porto resolveu investir nos seus próprios meios, não ficando a sombra de Noronha. Nos últimos anos eles focaram na iniciação científica, biologia, eventos e áreas relacionadas ao transporte.
E por isso mesmo que afirmo, Canela precisa e tem que parar de ser exclusivamente turística e voltar a trabalhar com meios de produção alternativos.
E aqui vou pontuar três deles que vejo como já existentes, porém muito pouco investidos.
A primeira é a indústria junto a produção rural. Temos um bairro inteiro feito somente para ter pátios industriais, perto da rodovia, longe do centro e ideal para pequenas e médias indústrias. Tanto que o nome do bairro é Distrito Industrial, que hoje tem como maior referência a empresa Dauper. Ali seria perfeito para acolher outras indústrias do ramo alimentício, usando o nosso campo de pequenos produtores (como de morango e embutidos) como fonte de origem para matéria prima. Mas também vejo que Canela poderia investir no marketing para indústrias que fazem produtos voltados para energia limpa, como empresas de painéis solar ou de energia eólica, isso casa com a proposta de uma cidade natural e irá fortalecer para que sejamos cada vez mais e mais uma cidade ecológica.
Pontos negativos: falta incentivo fiscal e adequação das ruas e rodovias. O imposto pode machucar o bolso de uma empresa que está começando e as ruas precisam ser mais preparadas para os caminhões (além de que deveria ter horário certo para eles transitarem). Melhorando esses itens, acredito que já teremos um bom começo.
A segunda seria de Eventos e Feiras, para pegar o turista de Gramado e forçar ele a vir a Canela e também para usar os meios de hospedagem de Gramado. Todo o mês deveria haver pelo menos 2 eventos de grande porte em Canela, e falo de grande como uma Festuris ou Expointer.
Canela deveria roteirizar a temática dos eventos pela época do ano, por exemplo, verão deveríamos ter eventos relacionados ao turismo de aventura e festas para solteiros e casais sem filhos e já no inverno deveríamos ter eventos relacionados a moda de inverno e feiras de móveis e decoração (já que o público é mais casais e famílias nesta época). Uma temática acho estranho ninguém ter investido é maio, mês das Noivas, poderíamos ter um mês dedicado ao casamento e sua festa, já que a cidade proporciona vários cenários para cerimônias. Ter eventos concretos e fortes, feitos para um público de determinado nicho, é um caminho para manter o fluxo de circulação da cidade estável.
O ponto contra é o descaso e abandono, dos centros de feiras que a cidade tem, por parte da atual gestão. Nossa maior referência está largada e para ser vendida para qualquer um. E os pequenos pontos de encontros, como a Praça João Corrêa, não recebem a manutenção devida. A estrutura da cidade precisa melhorar, e muito, para abrigar um grande fluxo de pessoas.
E o último seria ser reconhecida como Pólo Educacional, principalmente para crianças e jovens de 0 a 17 anos. Como esse texto vai para uma página vinculada ao PDT, fica fácil dizer que devemos fazer o que o Ciro vez com Sobral, no Ceará.
Canela tem grande potencial, construir boas escolas e formar cabeças pensantes. Temos muito campo externo, fora do muro das escolas, para que as crianças possam desenvolver seus talentos e criatividade. Aqui as crianças podem ver o processo de fabricação do leite, podem ir até um vale para entender a geografia de uma montanha, podem visitar um pequeno comerciante para saber mais sobre negócios. Nós temos muito espaço e vários tipos de proveitos, gerando maneiras novas de pensar.
O ponto contra dessa última proposta é a atual conjuntura da cidade. As escolas estão largadas, os alunos sem interesse, os professores cansados e com pouca estrutura e faltam vagas nas escolas infantis e organização das mesmas. Investir em educação tem que ser o pilar de qualquer sociedade.
Eu vejo que o orçamento de Canela deveria ser distribuído da seguinte maneira:
- 30% educação;
- 30% indústria;
- 20% eventos;
- 20% turismo;
Se a educação for muito boa, nossa mão de obra será muito boa. Com uma indústria fortalecida geramos uma rentabilidade mais homogênea. E as margens menores no turismo são por termos que entender que não podemos copiar e colar o que Gramado faz, temos que criar nossas próprias ideias e iniciativas, se aproveitando do turismo de Gramado.
Espero que essa minha proposta crie uma reflexão do que devemos pedir, focar e atacar. É de extrema importância entendermos que nenhuma cidade deve depender unicamente de um meio de ganho, a pluralidade da geração de renda é fundamental para manter a economia sempre ativa.
Bruno Magalhães
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